- por Marcos Gimenez
- on 02/04/2025
Steve Witkoff buscará iniciar diálogo para cessar conflito, enquanto Rússia reforçará demandas por segurança e proteção de minorias russas
Segundo a Agência Reuters, o enviado especial dos EUA para o Oriente, Steve Witkoff, desembarcará em Moscou, data ainda não divulgada, para uma reunião crucial com o presidente russo Vladimir Putin. O objetivo é discutir possíveis caminhos para um acordo de paz na Ucrânia, após 3 anos de conflito.
Fontes próximas ao Kremlin indicam que Putin apresentará exigências claras, incluindo o fim da expansão da OTAN e garantias para as minorias russas no leste ucraniano. A visita ocorrerá em um momento de crescente pressão dos EUA por uma solução diplomática.

A visita de Steve Witkoff a Moscou marca um momento decisivo nas tentativas de mediação entre Rússia e Ucrânia. Segundo analistas, Putin deve reiterar as preocupações de segurança que motivaram o início do conflito, em fevereiro de 2022. Entre as principais demandas russas estão:
Proteção das Minorias Russas: A Rússia alega que a população de língua russa na Ucrânia, especialmente nas regiões de Donetsk e Luhansk, sofreu perseguições e discriminação. Putin deve exigir garantias de direitos e autonomia para essas comunidades.
Fim da Expansão da OTAN: Desde o colapso da União Soviética, a Rússia tem criticado a expansão da OTAN para o leste, considerando-a uma ameaça direta à sua segurança. A promessa não oficial de que a aliança não se expandiria para países da ex-URSS, feita nos anos 90, foi quebrada, alimentando desconfiança em Moscou.
Neutralidade da Ucrânia: A Rússia deve insistir em um acordo que impeça a Ucrânia de ingressar na OTAN ou em outras alianças militares ocidentais, buscando uma zona-tampão que garanta sua segurança estratégica.
Reconhecimento Territorial: A anexação da Crimeia e o controle de Donetsk e Luhansk são pontos sensíveis. A Rússia espera que qualquer acordo de paz reconheça sua soberania sobre essas regiões, algo que a Ucrânia e seus aliados ocidentais têm resistido firmemente.
Enquanto isso, a Ucrânia e seus parceiros ocidentais, incluindo a União Europeia, defendem a integridade territorial do país e o direito de Kiev de escolher suas próprias alianças. A visita de Witkoff é vista como uma tentativa de encontrar um terreno comum. Witkoff aguarda o resultado da reunião de amanhã, na Arábia Saudita, entre os representantes da Ucrânia e dos Estados Unidos, para assinatura de um acordo de exploração de Minérios de Terras Raras, na Ucrânia e ouvir qual a proposta de Paz que Zelenskyy tem para oferecer à Rússia.
Mas especialistas alertam que as demandas russas podem ser difíceis de conciliar com os interesses ucranianos. Trump observará quanto a Ucrânia, de Zelenskyy, estará disposta a parar o conflito.
Conclusão
A reunião entre Witkoff e Putin pode ser um passo inicial para desacelerar o conflito, mas o caminho para a paz ainda é incerto. Enquanto a Rússia busca garantias de segurança e reconhecimento de suas reivindicações territoriais, a Ucrânia e alguns dos seus aliados da União Europeia insistem na soberania e integridade do país.
A possível mediação de atores neutros, como Brasil, China, Índia, Turquia, do BRICS, podería ser crucial para facilitar um diálogo produtivo. No entanto, com os EUA já garantindo acordos estratégicos, como a exploração de terras raras na Ucrânia, o cenário pós-conflito parece cada vez mais moldado por interesses geopolíticos e econômicos das grandes potências.
Imagem Destaca: Foto de Steve Witkoff, enviado especial do presidente Donald Trump, planeja uma visita a Moscou para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, (Foto da AP)