- por Marcos Gimenez
- on 02/04/2025
Em meio a retaliações internacionais e inflação recorde, o novo mandato do presidente americano reescreve as regras do comércio mundial, deixando consumidores e aliados em alerta máximo
Falando Sério!
O mundo assiste, entre incredulidade e apreensão, ao retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025, desta vez armado com uma política comercial que mistura protecionismo radical e nostalgia de um passado industrial. Com tarifas que variam de 10% a 54% sobre importações de países como China, México, Canadá e até aliados europeus, os Estados Unidos reacenderam uma guerra econômica de proporções globais. Enquanto líderes internacionais alertam para riscos de recessão, famílias de Detroit a Berlim já contabilizam os custos de uma estratégia que promete “libertar” os EUA, mas ameaça aprisionar o planeta em uma crise profunda.
A escalada começou em fevereiro, quando Trump anunciou tarifas universais sobre produtos estrangeiros, justificando-as como uma “medida de segurança nacional”. Aço, carros, componentes eletrônicos e até itens do dia a dia, como café e whisky, foram taxados. A China, maior alvo, reagiu com tarifas de 15% sobre soja e carne bovina americana. O Canadá, parceiro histórico, retaliou com impostos de 25% sobre aço e tecnologia dos EUA. A União Europeia, por sua vez, prepara-se para atingir US$ 28 bilhões em exportações americanas, incluindo ícones culturais como motos Harley-Davidson.
Os efeitos práticos são visíveis: nos EUA, trabalhadores da indústria automotiva, que celebraram a promessa de empregos, agora enfrentam demissões em massa, as montadoras dependem de peças mexicanas e canadenses, agora mais caras. No México, fábricas fecharam turnos; na Alemanha, exportadores de automóveis revisam projeções. Até o café no Brasil e o chocolate na Bélgica subiram de preço, pressionados por custos logísticos e especulação. A inflação, que Trump jurou controlar, disparou: famílias americanas pagarão até US$ 2,1 mil a mais em 2025, segundo o Federal Reserve.
Enquanto isso, a China avança silenciosamente. Oferecendo acordos comerciais sem tarifas a países africanos e asiáticos, Pequim fortalece sua influência em regiões estratégicas, enquanto os EUA se isolam. “É uma nova Guerra Fria, mas com armas econômicas”, resume um diplomata europeu.
Enquanto a China avança, o Brasil busca uma terceira via: negociar com os EUA e, ao mesmo tempo, explorar novas parcerias. O Presidente Lula, tem armas para revidar, liberadas pelo Congresso Nacional, mas insiste em negociar, pois o diálogo é o melhor caminho para romper barreiras e derrubar tarifas.
Dentre as vítimas das tarifas de Trump, o Brasil pode beneficiar-se, devido o custo das suas commodities comparadas com outros fornecedores sobretaxados, pois serão mais palatáveis para o consumidor americano. Destacamos entre esses fornecedores a União Europeia, China, Vietnã e outros, com tarifas acima de 10%. Ainda, paralelamente, os rejeitados de Trump poderão aprofundar o comércio multilateral trocando os EUA por uma parceria menos tarifária e mais respeitosa.
Uma quarta via a ser considerada é o BRICS+, onde os países parceiros podem ampliar suas relações comerciais e assim, driblarem as tarifas que poderiam sufocar suas Economias.
Conclusão
Trump insiste que as tarifas são um “remédio amargo para curar décadas de globalização irresponsável”. Economistas, porém, veem um paciente em agonia: o FMI reduziu a previsão de crescimento global para 2,1% em 2025, o menor desde 2008. Enquanto navios desviam rotas para evitar taxações e pequenos negócios quebram, resta a pergunta: até quando o mundo suportará esse jogo de xadrez onde peões são países inteiros?
Aqui, abaixo do Equador, o Brasil tenta um meio-termo: usar o custo competitivo de suas commodities, como soja e minério, para substituir fornecedores sobretaxados, UE, China, no mercado americano. Se o “jeitinho brasileiro” nas negociações der certo, o país não apenas reconquistará espaço nos EUA, como fortalecerá laços com os excluídos de Trump, uma jogada acertada, que pode evitar o pior da crise.
Lançar mão da quarta via, o Brics+, dará aos parceiros a possível válvula de escape de uma crise mundial, que Trump promoveu com as super tarifas.
A história serve de lição: o protecionismo dos anos 1930 ensina que guerras comerciais raramente têm vencedores, apenas sobreviventes.
Desta vez, porém, o Brasil aposta que será mais do que isso.
Foto Destacada: Navio Cargueiro no Porto de Hamburgo, Alemanha – Créditos: Nuno Luciano/Flickr
Fontes:
https://www.bbc.com/news/articles/cq80vwj2092o
https://www.politico.com/news/magazine/2025/04/03/trump-tariffs-manufacturing-confusion-00267945