Pentágono usará polígrafo em investigação de vazamentos; técnica centenária ainda gera controvérsias
Criado em 1921, o detector de mentiras é empregado para identificar funcionários que divulgam informações confidenciais, mas sua eficácia e ética continuam em debate.
O Pentágono pode utilizar exames de polígrafo para investigar vazamentos de informações confidenciais, uma prática que remonta à década de 1920, quando o dispositivo foi inventado. A medida, que visa coibir a divulgação não autorizada de dados sensíveis, reacende o debate sobre a confiabilidade e o uso ético dessa tecnologia.
Segundo The Associeted Press, em meio a crescentes preocupações com a segurança nacional, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos decidiu recorrer a uma ferramenta controversa: o polígrafo, também conhecido como detector de mentiras. Funcionários sob suspeita de vazar informações para a imprensa estão sendo submetidos ao teste, que mede respostas fisiológicas como pressão arterial, pulsação e sudorese para detectar possíveis mentiras.
A técnica, no entanto, não é nova. O polígrafo foi inventado em 1921 por John Augustus Larson, um médico e policial canadense-americano, e foi utilizado pela primeira vez em investigações criminais no Departamento de Polícia de Berkeley, na Califórnia. Ao longo do século XX, o dispositivo foi aprimorado e adotado por agências governamentais, incluindo o FBI e a CIA, para investigações internas e autorizações de segurança.
Apesar de sua longa história, o polígrafo sempre foi alvo de críticas. Especialistas argumentam que o dispositivo não é confiável, podendo gerar falsos positivos (acusar inocentes) e falsos negativos (absolver culpados). Em 1998, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que os resultados do polígrafo não são admissíveis como prova em tribunais federais, reforçando as dúvidas sobre sua precisão.
No Pentágono, a medida tem como objetivo identificar e coibir vazamentos, que podem comprometer operações militares e a segurança nacional. No entanto, críticos alertam que o uso do polígrafo pode ser mais uma ferramenta de intimidação do que uma solução eficaz. George Maschke, fundador do site AntiPolygraph.org e ex-oficial de inteligência, afirma que o dispositivo é frequentemente usado para “assustar e silenciar” funcionários, em vez de detectar mentiras de forma confiável.
Conclusão
Enquanto o Pentágono avança com a investigação de vazamentos, o uso do polígrafo continua a dividir opiniões. Para alguns, ele é uma ferramenta necessária em um mundo onde a segurança da informação é crucial. Para outros, é um método ultrapassado e questionável, que pode levar a injustiças e abusos. Enquanto o debate persiste, uma coisa é certa: a busca por equilíbrio entre transparência e segurança permanece um dos maiores desafios da era da informação.
Imagem Destacada: Vista aérea do Pentágono, Arlington, Virgínia, em 10 de agosto de 2010, Créditos: Mariordo Camila Ferreira e Mario Duran/ Wikimedia