- por Marcos Gimenez
- on 03/04/2025
Negociações envolvendo interrupção de 30 dias no conflito ganham destaque, mas especialistas questionam viabilidade sem concessões significativas
Enquanto os EUA buscam uma pausa de 30 dias no conflito entre Rússia e Ucrânia, a postura conciliatória de Donald Trump em relação a Vladimir Putin e a possível concessão de territórios por parte de Kiev levantam dúvidas sobre o futuro das negociações. Com a retomada de áreas estratégicas pela Ucrânia e os objetivos claros de Moscou, a comunidade internacional questiona: o que será necessário para convencer Putin a aderir a um cessar-fogo?
As negociações para interromper o conflito entre Rússia e Ucrânia enfrentam novos desafios, com três pontos principais em destaque: a postura dos EUA, as concessões territoriais discutidas e os objetivos estratégicos de Vladimir Putin.
Trump e a ausência de penalidades
Donald Trump, conhecido por sua abordagem conciliatória em relação a Vladimir Putin, sinalizou que não imporá penalidades ao líder russo caso ele rejeite a proposta de interrupção de 30 dias no conflito. Analistas apontam que a falta de pressão pode enfraquecer a posição dos EUA nas negociações, mas também reflete a estratégia de Trump de manter o diálogo aberto com Moscou.
Concessões territoriais em discussão
Durante as negociações na Arábia Saudita, o senador americano Marco Rubio mencionou a possibilidade de a Ucrânia ceder territórios conquistados pela Rússia nos últimos três anos, incluindo a Crimeia. Essa proposta, no entanto, é vista como altamente controversa, pois poderia ser interpretada como uma recompensa à agressão russa. Para Kiev, ceder territórios seria um golpe simbólico e estratégico, mas pode ser considerada uma opção para alcançar a paz.
Retomada de Kursk e objetivos de Putin
O exército russo recuperou boa parte do território de Kursk, que estava em poder das forças ucranianas após elas adentrarem a fronteira da Rússia em agosto passado. Essa retomada reforça a capacidade militar de Moscou, mas os objetivos de Putin permanecem claros: desnazificação, neutralidade da Ucrânia em relação à OTAN e garantias de segurança para a Rússia. Essas demandas são consideradas não negociáveis por Moscou, o que complica as chances de um cessar-fogo temporário.
Conclusão
As chances de os EUA convencerem Putin a aderir a uma pausa de 30 dias nas hostilidades dependem de concessões significativas, como garantias de segurança e alívio de sanções. A Ucrânia, por sua vez, enfrenta o dilema de ceder territórios ou continuar resistindo. Enquanto a guerra se arrasta, a comunidade internacional observa atentamente, consciente de que apenas uma abordagem equilibrada e realista poderá trazer uma solução duradoura para o conflito.
Imagem Destacada: Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 28 de junho de 2019, Créditos: Gabinete de Imprensa e Informação Presidencial – http://www.kremlin.ru/events/president/news/60842/photos