- por Marcos Gimenez
- on 02/04/2025
Erro humano inclui jornalista em conversas confidenciais; operação bem-sucedida vira arma política entre EUA e Europa
Um erro em um grupo de mensagens criptografadas do Departamento de Defesa dos EUA revelou detalhes sigilosos de uma operação militar contra alvos dos Houthis no Iêmen, em março de 2025. O plano, que resultou em um ataque bem-sucedido, foi parar nas mãos de um jornalista adicionado por engano ao chat e se transformou em munição para críticos do governo Trump, que acusam a administração de “incompetência perigosa”. Enquanto veículos europeus destacam riscos à segurança global, agências como AP e Reuters questionam a gestão republicana de inteligência.
O Vazamento que Abalou a Defesa Americana
Na terça-feira (26/03), o conselheiro de segurança nacional de Trump, Peter Hegseth, assumiu a responsabilidade por incluir acidentalmente um jornalista em um chat do Signal com militares e analistas. As conversas vazadas revelavam desde o timing exato do ataque aéreo no Iêmen até debates internos sobre riscos civis. Apesar do sucesso tático (dois líderes houthis mortos), o episódio reacendeu debates sobre:
Falhas de segurança em comunicações estratégicas:
O histórico de Trump de desdenhar protocolos (“Prefiro Signal do que e-mails criptografados!”, disse ele em 2024).
A Oposição Democratas no Ataque
Líderes democratas e veículos alinhados usaram o caso para reforçar narrativas;
Senadora Kamala Harris: “Isso não é sobre um erro, é sobre um governo que brinca com fogo geopolítico.”
The Atlantic: Editorial destaca que “o sucesso no Iêmen não apaga o risco de Trump normalizar a negligência”.
A Mídia Europeia: Críticas e Hipocrisia
Veículos como DW (Alemanha) e Euronews amplificaram o vazamento, mas análises trazem dualidade:
Ponto Consenso: “EUA sob Trump minam a estabilidade global” (DW);
Contradição: Países da UE, que não atingem 2% do PIB em defesa (meta da OTAN), criticam os EUA por “unilateralismo”, mesmo dependendo de seu poderio militar.
AP e Reuters: O Tom da “Grande Mídia” Americana
AP News: Destacou a ironia de um governo que “prometeu acabar com vazamentos” ser vítima de um erro amador.
Reuters: Focou em detalhes operacionais do ataque, mas citou fontes anônimas do Pentágono chamando o vazamento de “gafe imperdoável”.
CONCLUSÃO
O vazamento das mensagens do Pentágono é, ao mesmo tempo, um espelho e uma arma:
Espelho de um governo que prioriza agilidade sobre protocolos e colhe os frutos amargos do improviso;
Arma para uma oposição e mídia ávidas por desgastar Trump no primeiro ano de governo.
Enquanto a Europa aproveita para criticar o aliado que a subsidia militarmente, o verdadeiro debate deveria ser: até que ponto a eficácia justifica a negligência? Para Trump, a resposta parece clara: “Resultados falam mais alto”. Mas, no jogo geopolítico, um passo em falso pode custar mais que uma guerra.
Imagem Destacada: Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Mike Waltz/Crédito: Gage Skidmore
Fontes: https://www.reuters.com/world/us/pentagons-hegseth-texted-planned-time-targeted-killing-yemeni-terrorist-2025-03-26/
https://apnews.com/article/hegseth-atlantic-war-plans-signal-yemen-houthis-c0addd08c627ab01a37ea63621cb695e
https://pt.euronews.com/2025/03/26/conselheiro-de-seguranca-nacional-de-trump-assume-total-responsabilidade-por-fuga-de-infor
https://www.dw.com/en/the-atlantic-publishes-more-texts-on-us-yemen-attack-plan/a-72044541